Blog

O que realmente é autoestima?

6 min de leituraPor palmaweb
Mulher sorrindo, remetendo ao tema da autoestima

“Durante muito tempo, autoestima foi apresentada como sinônimo de gostar de si mesmo. Embora essa ideia tenha um fundo de verdade, ela é insuficiente para explicar um fenômeno muito mais complexo. A autoestima não se resume ao quanto você se elogia diante do espelho. Ela aparece, principalmente, na forma como você se trata quando a vida não acontece como esperava.”

Talvez a pergunta mais importante não seja: “Você gosta de si?”

Imagine duas pessoas.

As duas recebem uma crítica no trabalho.

A primeira pensa:

“Cometi um erro. Posso aprender com isso.”

A segunda conclui:

“Isso prova que nunca sou bom o suficiente.”

O acontecimento foi semelhante.

O impacto emocional, porém, foi muito diferente.

Essa diferença nos ajuda a compreender um aspecto importante da autoestima.

Ela não depende apenas do que acontece conosco.

Depende, sobretudo, da maneira como interpretamos essas experiências e do diálogo que estabelecemos com nós mesmos.

Afinal, o que é autoestima?

Em termos simples, autoestima pode ser entendida como a avaliação que fazemos do nosso próprio valor.

Ela influencia a forma como percebemos nossas capacidades, nossos limites, nossas qualidades e nossas imperfeições.

Mas existe um detalhe importante.

Essa avaliação não nasce pronta.

Ela é construída ao longo da vida.

Nossas experiências, os vínculos que estabelecemos, as mensagens que recebemos na infância, as relações afetivas, os sucessos e as frustrações contribuem para formar a maneira como passamos a nos enxergar.

Por isso, autoestima não é uma característica fixa.

Ela pode se fortalecer, enfraquecer e, principalmente, ser reconstruída.

Baixa autoestima não significa falta de qualidades

Esse é um dos maiores equívocos sobre o tema.

Pessoas com baixa autoestima podem ser competentes, inteligentes, dedicadas e afetuosas.

O problema não está, necessariamente, na ausência dessas características.

Está na dificuldade de reconhecê-las como parte de si.

É comum minimizar conquistas.

Valorizar excessivamente os próprios erros.

Comparar-se constantemente com outras pessoas.

Sentir que nunca é suficiente.

Como consequência, a percepção de valor passa a depender muito mais da aprovação externa do que da própria experiência.

Quando o valor pessoal depende da aprovação dos outros

Todos nós gostamos de ser reconhecidos.

Receber um elogio costuma ser agradável.

Sentir-se valorizado em um relacionamento ou no trabalho faz parte da vida.

O problema surge quando a aprovação dos outros deixa de ser algo desejável e passa a ser indispensável.

Nessa situação, qualquer crítica pode parecer uma confirmação de incapacidade.

Qualquer rejeição pode ser interpretada como prova de desvalor.

Qualquer comparação pode alimentar a sensação de inferioridade.

A autoestima torna-se extremamente vulnerável, porque passa a depender de fatores que não controlamos.

O perfeccionismo e a autoestima

Muitas pessoas acreditam que o perfeccionismo demonstra alta autoestima.

Na prática, frequentemente acontece o contrário.

Quem acredita que só merece reconhecimento quando faz tudo perfeitamente costuma viver sob enorme pressão.

O erro deixa de ser uma oportunidade de aprendizagem.

Passa a ser interpretado como uma ameaça ao próprio valor.

Assim, quanto maior a exigência, maior tende a ser o medo de falhar.

E quanto maior o medo de falhar, mais difícil se torna reconhecer as próprias conquistas.

O olhar da Terapia Cognitivo-Comportamental

Na TCC, compreendemos que a autoestima é influenciada pelas crenças que desenvolvemos ao longo da vida.

Algumas pessoas carregam ideias profundas sobre si mesmas, como:

“Não sou bom o suficiente.”

“Preciso agradar para ser aceito.”

“Se eu errar, serei rejeitado.”

Essas crenças nem sempre são percebidas de forma consciente.

Elas funcionam como lentes através das quais interpretamos nossas experiências.

Quando alguém recebe um elogio, por exemplo, pode pensar:

“Ele só está sendo educado.”

Mas, diante de uma crítica pequena, conclui:

“Eu sabia que não era capaz.”

Na psicoterapia, investigamos essas crenças, compreendemos como elas se desenvolveram e buscamos construir formas mais equilibradas e realistas de perceber a si mesmo.

O objetivo não é convencer a pessoa de que ela é perfeita.

É ajudá-la a desenvolver uma percepção mais justa sobre quem ela é.

O que a ACT acrescenta?

A Terapia de Aceitação e Compromisso traz uma reflexão muito interessante.

Ela questiona a ideia de que precisamos avaliar constantemente nosso valor.

Em vez de perguntar:

“Tenho uma autoestima alta ou baixa?”

A ACT propõe outra questão:

“Estou vivendo de acordo com aquilo que considero importante?”

Essa mudança é significativa.

Quando passamos a orientar nossas escolhas pelos nossos valores, deixamos de depender tanto das oscilações da opinião dos outros ou das circunstâncias.

Nosso valor deixa de ser algo que precisa ser provado diariamente.

Ele passa a estar relacionado à maneira como escolhemos viver.

Autoestima não significa gostar de tudo em si mesmo

Às vezes, imaginamos que pessoas com boa autoestima nunca duvidam de si, nunca erram e nunca se sentem inseguras.

Isso simplesmente não corresponde à realidade.

Uma autoestima saudável inclui reconhecer limitações.

Aceitar imperfeições.

Aprender com os erros.

Pedir ajuda quando necessário.

E continuar tratando a si mesmo com respeito, mesmo nos dias difíceis.

Talvez esse seja o aspecto mais importante.

A autoestima aparece menos na forma como celebramos nossos acertos e muito mais na forma como nos tratamos quando falhamos.

É possível fortalecer a autoestima?

Sim.

Embora não exista uma fórmula pronta, alguns caminhos costumam contribuir para esse processo:

  • desenvolver autoconhecimento;
  • identificar padrões de autocrítica excessiva;
  • aprender a diferenciar erro de identidade;
  • cultivar relacionamentos respeitosos;
  • estabelecer metas compatíveis com a realidade;
  • reconhecer conquistas sem minimizar seus esforços;
  • agir de acordo com os próprios valores, mesmo diante da insegurança.

Fortalecer a autoestima não significa eliminar completamente as dúvidas.

Significa construir uma relação mais estável consigo mesmo.

Quando procurar ajuda?

Vale a pena buscar psicoterapia quando a forma de se enxergar começa a limitar escolhas, comprometer relacionamentos ou produzir sofrimento persistente.

Se você percebe que precisa da aprovação constante dos outros para sentir que tem valor, que evita desafios por medo de fracassar ou que a autocrítica ocupa um espaço muito maior do que o reconhecimento das suas qualidades, talvez seja o momento de olhar para essa relação consigo mesmo com mais cuidado.

A autoestima não precisa ser construída na solidão.

Para refletir

Imagine que uma pessoa muito importante para você cometesse exatamente os mesmos erros que você comete.

Você falaria com ela da mesma forma como fala consigo?

Provavelmente não.

Curiosamente, muitas pessoas oferecem compreensão, paciência e gentileza aos outros, mas reservam para si apenas críticas e exigências.

Talvez fortalecer a autoestima não comece aprendendo a gostar mais de si.

Talvez comece aprendendo a tratar a si mesmo com a mesma humanidade que você oferece às pessoas que ama.


Perguntas frequentes

Autoestima baixa é um transtorno psicológico?

Não. A baixa autoestima não é, por si só, um diagnóstico. No entanto, ela pode estar presente em diferentes condições psicológicas e contribuir para o sofrimento emocional.

É possível desenvolver autoestima na vida adulta?

Sim. A autoestima é influenciada pelas experiências ao longo da vida e pode ser fortalecida por meio do autoconhecimento, de novas experiências e da psicoterapia.

Ter autoestima significa nunca sentir insegurança?

Não. Pessoas com autoestima saudável também experimentam dúvidas, frustrações e inseguranças. A diferença está na forma como respondem a essas experiências, sem transformar um erro ou uma crítica em uma definição do próprio valor.